Tuesday, September 15, 2009
Monday, September 14, 2009

Anonymous rita said...
queria dizer que vi a exposição.
que li os textos sobre os videos depois porque não tive acesso ao mesmos no edificio o que é pena. Lembrava-me bem dos videos, porque os achei estranhos, intimos, ficaram-me guardados numa espécie de memória que não entende mas que quer saber e há-de saltar ao corpo em associações tardias. Sentia(-o) tempo mas nem sempre o li. Depois li os textos e a memória das imagens ganhou contornos mais claros. Mesmo depois dos textos, mantive os meus preferidos: a aurora e os caracois. A bateria por causa dos gestos, e a liberdade, e os caracois por parecerem uma praga lenta. Percepções mais ou menos básicas e pessoais que se mantiveram com os textos, que não vão ao seu encontro. Talvez tenha visto errado, mas vi.
Blogger isabel carvalho said...
Rita:
não leias os textos.
se fossem muito importantes os vídeos tinham legendas.
ic
Anonymous rita said...
mas se aqui dizes que é importante ter acesso a eles. de qualquer maneira senti que tiveste necessidade de os explicitar. Não? Eu gostei de os ler. Achei-os importantes.
Os textos orientam e neste caso serviam para o Sr jornalista os ler...
mas podem ser lidos sem os vídeos.
Sunday, September 13, 2009
Entradas a partir de Lisboa:
1 – A atleta Semenya está entre-sexos, não há por isso mais espaço para ela nas competições, abre-se assim uma brecha no sistema de classificação que nós vulgarmente usamos, o que evidência o retardamento da sociedade em grande escala.
Sem querer tornou os jogos olímpicos na melhor arena de discussão (dos últimos tempos).
História de u...
2 – Uma mulher foi apanhada a desenhar à vista um morcego de bronze, que aparecia na capa de um cd, a partir da montra de uma livraria de pautas musicais. Quem a apanhou foi um artista que trabalha com bronze, como matéria prima, mas que prometeu não contar a ninguém da fraca qualidade dos desenhos.
3 – Decidida a contar todos os objectos adquiridos e a relacioná-los, fez uma lista.
4 – Encontro com uma camisola preta de malha, exactamente igual à imagem que desenhou de uma camisola preta, que desejava, e que escapou, por sorte, dos modelos das lojas - iguais em todo o lado. Seguir um estilo é fundamental, é evocar estilos existentes, e combiná-los num só – aliás na noite de Sábado tentou convencer o seu amigo R que ter estilo não é incompatível com intelectualidade. A camisola preta simboliza para ela conforto (é de malha elástica com veludo) e ter uma atitude independente, que ela julga ser urgente sublinhar.
5 – Comprou dois fascículos da Enciclopédia animal por um preço acima do seu custo do mercado em segunda mão, mas precisava de os ter para ver as imagens antes de dormir. Os animais têm formas e cores que a surpreendem desde sempre –destaca os lagartos de tamanho superior ao dos humanos.
O livro sobre Carl Hagenbecks seguiu-se, naturalmente. Precisava destas imagens para o dossier da Zoologia. Se puder fará os possíveis por “encher” este dossier e entregá-lo ao arquitecto que debaterá com ela e com os zoologos a melhor maneira de trabalhar o tema! Mas não será fácil.
6 – Comprou uma cassete de VHS gravada que será o seu maior segredo – nunca ninguém a verá, excepto ela.
Nela encontra-se um documentário da banda preferida de x. Comprou com o propósito de sofrer e com isso superar x. Disse: irritam-me as pessoas que afectam as outras pessoas.
Com este objecto adquiriu dois volumes dos policiais “ninfa”. Um homem tem uma cara coberta e transformada por uma meia de vidro.
7 – Comprou cadernos de argolas para ter sempre a mais – disponíveis. Contando não encontrar tão cedo cadernos que lhe agradem. Tudo a ser preenchido com caligrafia.
Friday, September 11, 2009
1) Bar Introspectivo Ocupado é mesmo um bar onde, ao que sei, vão acontecer coisas (espectáculos, concertos, conversas?). Pode dizer-me o que vai acontecer ao certo? Qual é a programação?
R:. A dinamização do bar depende parcialmente de apoios técnicos e financeiros. Ainda estou a aguardar por respostas para começar a desenvolver a actividade/programação no Bar.
2) O que acrescentou ao bar? O R não me revelou, mas arriscaria dizer, que colocou cortinas brancas e estores azuis. Ou se calhar não colocou nada.
R:. O que foi alterado no bar, em pormenor, penso que não é muito relevante.
A transformação incluiu paredes falsas e truques para esconder mobiliário de restauração que não interessava. Os espelhos foram desenhados por mim e representam em simultâneo uma borboleta e uma aranha, animais muito importantes para mim, e cujo padrão resultante foi inspirado na própria Rua Cândido dos Reis onde prevalecem vestígios da arte nova. Os espelhos são também influenciados pelos cafés do Porto (e nos cafés em geral) que usam o efeito reflexivo dos espelhos para ampliarem o espaço. Para além disso queria que as pessoas se olhassem entre si e para si.
O mais importante é a “inutilidade” do Bar enquanto tal por um lado e a potencial “utilidade” cultural por outro.
3) O vídeo do miúdo (miúda?) a tocar bateria surge atravessado (se não me engano) pela sombra dos estores e é um dos trabalhos mais bonitos da exposição. Como se chama? Não cheguei a entrar nessa sala. Podia?
R:. É uma miúda que toca bateria. O vídeo chama-se Aurora, da mesma maneira que o livro do Nietzsche. Não sei se recebeu esta informação sobre os vídeos...mas é importante ter acesso a ela porque explica grande parte da exposição. Para entender a minha parte da exposição é necessário destacar o bar e os vídeos e depois relacioná-los.
4) Gostava que me falasse um pouco de Como Sucedâneo da Vida. O que inspirou esta instalação que, creio, só podemos ver de um lado? Tem uma imagem projectada, uma “cortina”, uma lança e parece aquele trabalho menos “relacionado” com a história do edifício.
É preciso entender o seguinte: eu não me vi “forçada” de modo algum, a trabalhar com a fábrica, com o edifício, com a História da Indústria, eu trabalhei com estes “temas” porque me “tocam”, porque me dizem respeito. Eu não falo da história do edifício de modo isolado, eu conto a minha própria história (humildemente) através dele. E bate certo ao ponto de se pensar que é o contrário que podia ser um trabalho de adaptação, porque nenhum saiu lesado, nem eu nem o edifício, nem as nossas histórias, porque se cruzam de muitas maneiras.
O sucedâneo de vida,
é sobre a ideia de Sucedâneo de William Morris,
é sobre viver nos subúrbios,
é sobre escapar aos subúrbios,
e é sobre um planta que ajuda a escapar.
O nome do vídeo é este: Não é preciso ser um Quarto — para estar Assombrado — Nem é preciso ser uma Casa — O Cérebro tem Corredores — que ultrapassam os Lugares Materiais retirado de um poema de Emily Dickenson.
A grade obstrui o caminho, mas é um realidade da nossa paisagem.
R:. A dinamização do bar depende parcialmente de apoios técnicos e financeiros. Ainda estou a aguardar por respostas para começar a desenvolver a actividade/programação no Bar.
2) O que acrescentou ao bar? O R não me revelou, mas arriscaria dizer, que colocou cortinas brancas e estores azuis. Ou se calhar não colocou nada.
R:. O que foi alterado no bar, em pormenor, penso que não é muito relevante.
A transformação incluiu paredes falsas e truques para esconder mobiliário de restauração que não interessava. Os espelhos foram desenhados por mim e representam em simultâneo uma borboleta e uma aranha, animais muito importantes para mim, e cujo padrão resultante foi inspirado na própria Rua Cândido dos Reis onde prevalecem vestígios da arte nova. Os espelhos são também influenciados pelos cafés do Porto (e nos cafés em geral) que usam o efeito reflexivo dos espelhos para ampliarem o espaço. Para além disso queria que as pessoas se olhassem entre si e para si.
O mais importante é a “inutilidade” do Bar enquanto tal por um lado e a potencial “utilidade” cultural por outro.
3) O vídeo do miúdo (miúda?) a tocar bateria surge atravessado (se não me engano) pela sombra dos estores e é um dos trabalhos mais bonitos da exposição. Como se chama? Não cheguei a entrar nessa sala. Podia?
R:. É uma miúda que toca bateria. O vídeo chama-se Aurora, da mesma maneira que o livro do Nietzsche. Não sei se recebeu esta informação sobre os vídeos...mas é importante ter acesso a ela porque explica grande parte da exposição. Para entender a minha parte da exposição é necessário destacar o bar e os vídeos e depois relacioná-los.
4) Gostava que me falasse um pouco de Como Sucedâneo da Vida. O que inspirou esta instalação que, creio, só podemos ver de um lado? Tem uma imagem projectada, uma “cortina”, uma lança e parece aquele trabalho menos “relacionado” com a história do edifício.
É preciso entender o seguinte: eu não me vi “forçada” de modo algum, a trabalhar com a fábrica, com o edifício, com a História da Indústria, eu trabalhei com estes “temas” porque me “tocam”, porque me dizem respeito. Eu não falo da história do edifício de modo isolado, eu conto a minha própria história (humildemente) através dele. E bate certo ao ponto de se pensar que é o contrário que podia ser um trabalho de adaptação, porque nenhum saiu lesado, nem eu nem o edifício, nem as nossas histórias, porque se cruzam de muitas maneiras.
O sucedâneo de vida,
é sobre a ideia de Sucedâneo de William Morris,
é sobre viver nos subúrbios,
é sobre escapar aos subúrbios,
e é sobre um planta que ajuda a escapar.
O nome do vídeo é este: Não é preciso ser um Quarto — para estar Assombrado — Nem é preciso ser uma Casa — O Cérebro tem Corredores — que ultrapassam os Lugares Materiais retirado de um poema de Emily Dickenson.
A grade obstrui o caminho, mas é um realidade da nossa paisagem.
Wednesday, September 09, 2009

1. A exposição da privacidade, quando relatada, segundo X e W,
é transgressora e incómoda,
Mas deve ser direccionada – ora bem, para o relato sexual e o relato da contagem de coisas pequenas. Mas também a divagação pessoal sobre grande estruturas que nos esmagam.
2. Um embrulho com um livro chegou no meu nome, da Nova Zelândia:
Sobre avant-gard – penso – não acolhe meios termos, parece que é um livro de quem a) adora ver-me em fúria porque entro em campo de revelação;
b) adora ver-me iludida com as leituras sobre avant-garde;
c) leu e por generosidade – e porque engraçou comigo – lembrou-se de me enviar esta pechincha (não tem ar de ser caro);
d) alguém que percebeu que fujo à intuição esforçando-me por desenvolver o meu lado mais objectivo (a educação - durante o meu ensino não houve qualquer separação entre pensamento cientifico e mitológico, por isso ter reprovado a todas as disciplinas da área das ciências);
e) completando todas as outras letras penso que deve ter sido a V que se interessa por movimentos sociais complexos.
3. Quando mudei de casa – há um ano atrás – deixei tudo no mesmo sitio e aligeirei-me, nada de muito pesado para carregar. Fugi sem sapatos – e não apenas metaforicamente. E agora W foi lá: é preciso arrumar a casa e deitar os sapatos fora.
4. R:
A DEUSA ENCONTROU ALI O GRAVADOR ITALIANO
Sunday, September 06, 2009

Um jovem rapaz visita o jardim botânico onde cientistas estudam a face aberrante de certas formas de vida vegetal. Ele levava consigo um caderno e um lápis bem aguçado para poder fazer alguns esboços de carácter e tema livres. Entra numa estufa, logo depois do roseiral, passando pelos tanques das aquáticas. Aí, começa a examinar superficialmente aquele amontoado de massa verde que aos seus olhos lhe parece confuso e o deixa enjoado. Avança com o lápis de modo a pôr alguma ordem no seu pensamento através do desenho, mas adormece. Tinha ficado de pé, imóvel, com o olhar direccionado para o primeiro objecto do seu desejo de representar - um cacto em forma de soldado.

1.
“(...)Viver é, aí, viajar. Viajar é correr perigos e aventuras, ficar prisioneiro dezenas de vezes, ser comprado e vendido como escravo, naufragar, violar cemitérios, mercadejar, ver-se num dia senhor no outro servo. É preciso, porém, não fazer disso um motivo de sofrimento e dor” – percebes? Lembras-te?
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2.
É preciso entender que eu não me vi “forçada”, de modo algum, a trabalhar com o edifício, com a História da Indústria, eu trabalhei com estes “temas” porque me “tocam”, porque me dizem respeito. Eu não falo da história do edifício de modo isolado, eu conto a minha própria história (humildemente) através dele. E bate certo ao ponto de se pensar que é o contrário que podia ser um trabalho de adaptação, porque nenhum saiu lesado, nem eu nem o edifício, nem as nossas histórias, porque se cruzam de muitas maneiras. (emissores reunidos)
3.
A suar brutamente (África tornou o cheiro diferente e inconstante), vou trocar de roupa e vestir a nova camisa cinzenta, para jantar.
Porque eu (também) me visto melhor para jantar em casa,
porque é uma festa ter as gatas todas à mesa e humanos calorosos.
Antes, olhava para cima, para as varandas e via pessoas a beber vinho e invejava-as.
Na realidade não gosto de restaurantes e aceito muito bem trocá-los por qualquer casa.
4.
E magreza que fora sempre fora sinónimo de inteligência...
Tuesday, September 01, 2009
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