Wednesday, April 09, 2008

ARTIST'S INSECURITIES


1. Falar sobre arte é muito complicado porque é praticamente impossível falar sobre arte sem haver um imposição discursiva de qualquer ordem. Em diferentes situações assisti ao bloqueamento dos espíritos mais fortes que têm sempre uma resposta pronta a disparar. A arte, para muitos, foge aos discursos, e daí a sua mais valia. Está para além deles e sobrevive a todos. Talvez como a poesia, pela complexidade e pelo escape constante à definição (a mais linear: a porque b), torna-se (porque fugitiva) inalcançável. Para outros, já não é bem assim, falar sobre arte é falar sobre a vida dos artistas numa versão mais pobretanas de Vasari. Por vezes chega a ser previsível a aplicação das regras “constitucionais” dos bandos do liceu, “diz-me com quem andas que eu digo-te quem tu és”! Para outros a melhor opção (se chega a ser uma escolha ou uma visão natural e mais objectiva que a anterior) é falar da arte pelo contexto em que se insere, pelo sistema artístico e cultural, pela economia e a política que a circunda. Não há necessariamente branco e negro, muitas vezes funcionamos com cinzentos em diferentes escalas. E os artistas do que falam quando falam sobre arte? Aliás, começa pelo que vemos e muitas vezes eu não sei o que estou a ver.
2. Imagino uma experiência nestes termos: o centro é a obra e é representado por um círculo compacto e pequeno; daí partem anéis que crescem do centro para fora. Esta imagem representa a obra e o seu contexto/sistema. A minha pergunta é “para onde devemos olhar e considerar?”. Se for para a obra e para os anéis perto do centro que devemos olhar, quer dizer que os artistas devem tomar as suas tarefas como funcionários exemplares de um território específico do qual só eles, privilegiados, se devem ocupar. Deixando de lado preocupações que outros, por estarem mais à vontade, por formação académica e/ou interesse, devem ter.
3. E se olharmos de longe e virmos um pouco mais, estaremos a ser desleais à arte que afinal pouco devia ter a ver com política, economia, marketing e tudo mais? E se ainda assim quisermos projectar à distância e ver tudo isto, 180 graus no mínimo e apanhar tantos anéis quantos for possível?
4. A minha inquietação é esta e não é nada fácil: a obra do Bruce Nauman e/ou a inauguração em Serralves?
5. A fantasia sobre a “vida dos outros”, que uns mais que outros consomem, por exemplo nas últimas páginas das revistas de arte, (agora também em Portugal) estará presente em ambas as posturas. É terrivelmente humana a forma como nos protegemos através do escárnio e da difamação do outro. Não só faz parte da nossa vida social como pode ser até motivo de aproximações (nem sempre afastamentos) - o problema é que às vezes não há mais que isto.

4 comments:

yoko ono aka o importante é sermos leais a nos proprios said...

arte em círculo compacto? Mas o que é isto??? O espiral jetty???!!! FUCCKKK!!!!




...."O que importa é produzir."

ahahahahahah!!!!!! (riso maquiavélico)


:)

isabel carvalho said...

Yoko, aprecio o seu risinho!
Ainda por cima é bem bonitinho!

Qual espiral jetty!?!
Produzir, prodizimos todos- cotão e gases.
Beijos e não me faças babar o teclado das Belas Artes...para não pensarem que estou aqui animada

spiral jetty, pouco compacto said...

EU SOU O ESPIRRAL JETTY! ATCHIM!

ricardo said...

isabel
esquece lá isso e vai ver o nauman, man!